Adriano Gianturco

Adriano Gianturco – Uber Revoluciona o Senso Comum

Por Adriano Gianturco

Clientes São os Melhores Reguladores

Inesperadamente, o Uber criou uma onda de apoio ao livre mercado. No entanto, nem todos os defensores do Uber percebem o que estão realmente apoiando. Sobretudo, aqueles que utilizam o serviço sabem a diferença que o Uber faz em suas vidas. Desse modo, eles se ressentem das tentativas de manter (ou ressuscitar) o privilégio político dos cartéis de táxi.

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O mais surpreendente é a qualidade dos argumentos dos defensores do Uber nas redes sociais e em outros lugares. Não só eles condenam as barreiras regulamentais, como também falam da natureza inerentemente coercitiva de um sistema licenciado pelo Estado.

Muitos apelam para a liberdade de escolha: por que limitar-se a um serviço quando deveria ser possível escolher entre várias opções diferentes? Alguns criticam a baixa qualidade dos serviços de táxi em comparação com os novos concorrentes. Além disso, ressaltam que a concorrência eleva a melhoria geral dos serviços e o bem-estar do consumidor. Outros até afirmam que, se dependesse dos legisladores, ainda estaríamos usando carruagens puxadas por cavalos e máquinas de escrever manuais.

Para esta onda de adeptos – penso neles como “lubertários” – a Uber já está suficientemente regulada pelos seus clientes.


Todos esses argumentos, tipicamente defendidos por libertários e liberais clássicos durante séculos, estão sendo feitos espontaneamente por pessoas que, seja por ignorância ou por escolha, provavelmente fazem cara feia quando ouvem o termo libertário.

A Economia dos Aplicativos Promove o Senso Comum

Há uma razão para que as noções de senso comum sobre Uber e economia dos aplicativos em geral se alinhem tão bem com as ideias de livre mercado. Como observa o economista Donald Boudreaux, agora estamos tão acostumados com a fluidez dos mercados em nossas vidas diárias que nunca questionamos como as trocas feitas por bilhões de estranhos podem funcionar tão bem.

Mas quando a maioria das pessoas pensa sobre a economia de mercado em abstrato, elas se sentem oprimidas e alienadas por esse vasto e complexo sistema. Intimidadas por sua compreensão do “capitalismo”, elas tendem a exigir que o Estado controle a economia de alguma forma através de leis e regulamentações governamentais.


O Uber, por outro lado, deixa claro o conceito de soberania do consumidor para seus usuários mais casuais. Tudo isso por meio de um aplicativo simples que lhes permitem escolher e avaliar os serviços que procuram.

Os clientes sabem que não é por causa da benevolência do motorista que as guloseimas e a bondade vêm. Mas de seu esforço para promover seu interesse próprio – as cinco pequenas estrelas que asseguram seu futuro na empresa.

A lei da oferta e da demanda, tão incompreendida no papel, é óbvia no preço dinâmico do Uber. Os usuários observam os preços subirem e descerem com o aumento e o declínio em tempo real da demanda por viagens, e eles decidem se vale a pena usar o serviço naquele momento ou se é melhor esperar que os preços caiam novamente. Dessa forma, o Uber permite que seus clientes participem diretamente do poder de autorregulação dos mercados.

Visão Seletiva

Devemos celebrar esse lubertarianismo ocasional, defendido até mesmo por pessoas antimercado. Nosso próximo passo é mostrar que argumentos a favor do livre mercado são válidos não apenas para a economia compartilhada, mas para todas as formas de troca voluntária.

Ônibus e vans particulares tornam o transporte “público” mais barato e eficiente, garantindo um melhor atendimento aos passageiros mais pobres.

Nas telecomunicações, foi a competição do mercado que colocou os celulares nas mãos de todos e deu um acesso cada vez maior à Internet para aqueles em países em desenvolvimento.

Na Índia, onde as barreiras à entrada são baixas, os preços estão entre os mais baixos do mundo.

Na nova economia compartilhada, plataformas como Airbnb, Udemy e Indiegogo estão estimulando uma revolução nos preços, qualidade e escolhas.

Uma Proposta Modesta

Com aqueles que temem o espectro do “capitalismo desregulado”, vamos tentar uma nova abordagem. Em vez de promover a liberdade no mercado, talvez devêssemos falar em “Uberizar” a economia.

Adriano Gianturco

Imagine um Uber para contadores, advogados, médicos ou professores. Imagine um Uber para comprar carros, eletrodomésticos ou comida.

Imagine que exista um aplicativo que conecta compradores e vendedores para qualquer bem ou serviço.

Agora imagine que essa plataforma descentralizada ofereça aos usuários um poder real para avaliar e direcionar os preços, as quantidades e as qualidades desses bens e serviços.

De fato, essa plataforma já existe e se chama livre mercado. Ela só precisa de um pouco de rebranding para ajudar seus críticos enxergarem que eles são realmente seus maiores fãs.

Este artigo foi publicado primeiramente em fee.org


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